dead-alive // word-bag
'"I was becoming quite dead-alive, nothing but a word-bag," he said in triumph, scorning his other self. Yet somewhere far off and small, the other hovered.' - D.H. Lawrence, 'Women in Love'
28 Novembro 2006
17 Novembro 2006
cidadania (em estilo de Oscar)

'gostaria de agradecer a Academia pelo premio...' sim, no estilo mais Oscar possivel gostaria de agradecer as pessoas que me ajudaram a obter minha cidadania. primeiramente a Guilherme pelo 'know-how' e pela ajuda prestada nao so a mim mas tambem ao meu primo Fabio em seu processo. obviamente tambem ao Fabio, pela forca necessaria, por ter me hospedado 2 semanas em seu sofa e por ter sido o pioneiro nesta louca empreitada. aos meus coinquilinos italianos - Fabio, Michela, Walter - primeiro, por terem aceito que eu morasse com eles, segundo pela paciencia com meu italiano macarronico, e terceiro, e principalmente, pela amizade. a todas as pessoas que conheci em Bologna, aos diversos brasileiros que se encontravam na mesma situacao que a minha, aos estudantes Erasmus, etc. (Foresti, Otavio, Pedro, Carol... a lista e grande...)
ao Comune de Bologna, por nao ter implicado com absolutamente nada nos meus documentos. e obviamente por ter concluso o processo de forma bastante concisa e profissional 'no questions asked'.
aos amigos que se encontram no Brasil (e aquela que se encontra na Australia!) pelos emails, cartas, etc.
a minha familia, pelos pensamentos positivos. Ive, Ivana e, principalmente, aos meus pais por terem nao so compreendido aquilo que escolhi para a minha vida daqui pra frente, como incentivaram e 'patrocinaram' todos meus desejos. nao poderia ser mais grato.
tudo isso dedico a memoria de meu avo, Waldemar, e de seu pai, Angelo Pregnolato, que deixou as terra inferteis de Veneto a fim de se instalar no Brasil, fadado a uma vida repleta de sofrimentos. acredito que tenha valido a pena, depois destes 110 anos. agora estamos de volta, vovo!
23 Outubro 2006
congresso internacional do medo revisited
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade
ainda em ritmo provisorio nao cantaremos o amor
que a esta altura cultiva uma barba em seu refugio subterraneo
tampouco o odio que (tudo permeia e por isso) nao existe
cantaremos o medo o velho e bom medo encantador de serpentes
o medo dos homens-bomba dos presidentes megalomaniacos
das fobias das grandes corporacoes o de deprimir-se
o medo das grandes superpotencias das religioes e da
ansiedade em nao ser um ansioso estressado e infeliz
o medo da morte e de depois da morte e tambem o de nunca morrer
e por fim todos morreremos de medo
mas nao teremos tumulos pois seremos todos cremados
e em meio as nossas cinzas nascerao cogumelos vermelhos e alucinogenos
Bologna, 25/09/2006
10 Outubro 2006
notas iniciais
10/08 cheguei exausto Milano 11/08 tour e coisas pro permesso 12/08 saida, brasileiros, etc 14/08 fila questura, me dei mal, implicaram com a passagem 15/08 Bologna 17/08 Milano novamente, fila na questura PERMESSO!! Bologna em definitivo 21/08 ap's, ap's... 01/09 mudei finalmente! via Martucci 9 04/09 anagrafe, comeca a espera pelo vigile 07/09 passou o vigile, na verdade me acordou 28/09 residencia confirmada, finalmente 29/09 entrei com os papeis no comune, agora so esperar.
isso e o esqueleto. nada diz a respeito da carne que vai entre os ossos. dos orgaos. do recheio da receita. dos momentos de felicidade. de tristeza. dos altos e baixos. os 'mood swings'. do James Joyce. da (tentativa de leitura de) poesia italiana. Ford Madox Ford. das aventuras de Sherlock Holmes. dos loucos italianos. e da espera. dos sonhos, dos planos e suspiros...
28 Setembro 2006
crisalida
consideremos a lagarta. feia, lenta, terrestre. um belo dia (e por este 'belo dia' nao indico aqui que se trata de uma decisao subita e repentina que simplesmente brota em sua cabeca de lagarta mas sim de toda uma concomitancia de eventos e fatores de ordem natural e biologica, quica psico-lagartico) a lagarta sente que atingiu um certo estagio. e ai 'vira' crisalida. tece um involucro ao seu redor. deveras nojento. e, ao que tudo indica, dorme. dorme. dorme. esquece do mundo e de si mesma. e dorme. e se reinventa. acorda outro ser. bonito, livre, alado. quica utopico. ha quem se reinventa de diversas formas. uns simplesmente deixam uma barba crescer. mudam o corte de cabelo. o pintam. mudam de religiao. nos anos 60 muitos foram a India. ha a cirurgia-plastica. um novo modo de falar. de andar. escrever. artistas mudam suas formas de expressao. a lista e grande. procuremos e tecamos as crisalidas a nossa volta.
19 Setembro 2006
ponto-de-onibus
'the Commonwealth!! do you remember the Commonwealth?!? COMMonwealth!!!' velhinhas discutiam os horarios dos onibus. entao veio a voz do senhor. estava sentado no ponto-de-onibus. em bom e sonoro ingles. mas acredito que nao esperava nenhum onibus em particular. estava bastante desarrumado. a barba por fazer. os cabelos revoltos. sem corte. disse aquilo para todos. e para ninguem. ou para a caixinha de suco-de-uva que levava na mao. seria mesmo suco o que o recipiente continha? o que caracteriza um comportamento normal? o que e 'normal'? por que a enfase na primeira silaba quando pronunciou 'commonwealth' pela terceira, ultima, derradeira-quase-que-triunfante vez?
12 Setembro 2006
fireworks (momento Kerouac)
esferas multi-coloridas. em forma de nebulosas. um ressoar forte. abrangente e efemero. como sobem intrepidamente aos ceus e explodem! explodem em um clarao orgasmico. rivalizam, mesmo que por breves instantes, com a lua-cheia. reinante. soberana. perene. e entao... cheiro de polvora. vivem. morrem. o po-de-estrela decanta no fluido atmosferico vagarosamente.


